Por Wellington Lopes
Por cinco anos ela reinou absoluta à frente dos ritmistas da Estácio, o reinado, porém, terminou este ano. Formada em Artes, pela Universidade Estácio de Sá, a sambista estreia em outubro uma nova comédia no teatro. Mãe de três filhos, a beldade deu os primeiros passos numa quadra de escola de samba, aos 14 anos. Em 2011, virá como musa da Acadêmicos da Engenho da Rainha, no último carro alusivo à águia da Portela. Pelo Grupo Especial, guarda em segredo o nome da escola pela qual sairá como rainha ou musa. Nesta entrevista, Alessandra Mattos conta essa e outras histórias e explica o porquê de ter se recusado a passar a coroa a Shayene Cesário, a nova rainha da bateria Medalha de Ouro do Morro do São Carlos.
OBatuque.com – Quando você começou na Estácio de Sá?
Alessandra Mattos- Comecei aos 14 anos, no entanto, meu pai, apesar de gostar de carnaval, não me deixava desfilar. Somente aos 20 comecei a frequentar a quadra da Estácio, mas parei, e em 2004, quando me separei do meu ex-marido, voltei ao samba e me convidaram para desfilar. Eles queriam que eu viesse em cima do carro, sabendo sambar como eu sei queria vir à frente da ala de passistas, e desfilei ali, com eles. No ano seguinte, me convidaram para ser a madrinha da bateria, até então a rainha seria a Luciana Picoreli. Não sei o que houve, mas o Carlinhos Maracanã pediu ao Marquinhos (atual presidente) que escolhesse uma integrante da comunidade para ser a rainha, pois ele me viu sambando e falou que deveria ser eu, então eu vim como rainha.
OBatuque.com – Sua avó é a vice-presidente da Estácio e seu avô foi um dos fundadores, conta um pouco dessa história?
Alessandra Mattos – Na verdade, meu avô foi um dos fundadores da Deixa Falar, que foi a primeira escola de samba, e hoje se chama Estácio de Sá. Inclusive, quando se tornou a Unidos de São Carlos por alguns anos, ele foi o primeiro presidente, e desde esse tempo minha avó acompanha a escola. Ela tem mais de 70 anos de Estácio, e quando eu retornei em 2005, ela era presidente da ala das baianas, e em 2008, quando já era rainha, ela lançou uma chapa com a Livia Martins e se tornou a vice-presidente, e continua até hoje.
OBatuque.com – Você já teve passagens por outras escolas como musa, por qual a afinidade foi maior?
Alessandra Mattos – Bom, em 2008 desfilei em São Paulo pela Águia de Ouro, na qual o Serginho do Porto é o vice-presidente e também intérprete. Ele me convidou e eu aceitei, há duas semanas do carnaval. Foi um desafio na verdade, pois o carnaval de lá vem crescendo e eu gostei muito dessa experiência. Nesse mesmo ano, também desfilei como musa na Vizinha Faladeira, a convite do Kiko Alves. Eu topei, pois Acesso B não passa na televisão, não tem mídia, não tem fotógrafos e eu fui para brincar, porque gosto de carnaval. Em 2009, desfilei como musa na Unidos da Tijuca, e também pela forte ligação que a escola tem com o Vasco da Gama, meu time de coração. Fui rainha da torcida organizada Força Jovem, mas hoje sou rainha de outra torcida do clube, a Ira. Como o presidente da Tijuca, o Fernando Horta, é vascaíno, isso teve uma forte ligação. Aprendi a gostar muito da Tijuca.
OBatuque.com – Já que você teve experiências em escolas de diversos grupos, o que difere desfilar pelo Grupo Especial e nos demais grupos de acesso?Alessandra Mattos – Vou ser bem sincera. No meu ponto de vista, as alas do Grupo Especial são muito exigidas, porque é um trabalho realizado o ano inteiro. Eles fazem de tudo para que esse trabalho não seja jogado fora. A maioria das alas é coreografada. Já nos grupos de acesso B, C, D e E, eles gostam de brincar, pular e se divertem muito, e isso que é o bacana do carnaval: você estar ali para se divertir. Como rainha, gostei muito de desfilar nos dois grupos, mas há uma diferença que pesa muito: a rainha que está no Grupo Especial tem mais visibilidade, e a que está no acesso não tem tanto, apesar de que, quando fui musa da Vizinha Faladeira, estava ali para me divertir e curti muito o carnaval, foi muito legal, então para mim essa é a diferença.
OBatuque.com – Então foi em função disso que você aceitou o convite para ser musa da Engenho da Rainha no próximo ano?
Alessandra Mattos – Bom, provei que gosto muito de carnaval, não sou rainha que só usa o carnaval para aparecer. Recebi o convite da Engenho da Rainha e pela primeira vez vou conhecer o carnaval da Intendente Magalhães. Aceitei também porque a escola vem com enredo sobre a Portela, e para quem não sabe, a Portela é uma escola na qual tenho um carinho especial, porque meu pai é portelense e meu avô era portelense, então isso conta muito. Venho representando a mãe águia, no último carro, em cima da águia da Portela.
OBatuque.com – Você já teve problemas com a Mirela Santos quando ela foi madrinha da Estácio. Como você vê a vaidade entre rainhas e musas das escolas?
Alessandra Mattos – Voltando à minha história em 2007… Colocaram a Elaine Azevedo à frente da bateria quando a Estácio desfilou no Grupo Especial. Posso te confessar que é muito complicado duas mulheres virem à frente de uma bateria, mas com a Elaine foi super tranquilo. Desfilei ao lado dela e ela me respeitou bastante. Já com a Mirela, em 2009, saíam notas da assessoria de imprensa dela, informando que ela era a rainha, quando na verdade, a rainha era eu. Ela estava ali como madrinha e eu tive alguns problemas com isso, porque, na realidade, tínhamos a mesma assessoria na época. Às vezes reclamava com a Regina, mas… O problema maior foi no desfile, quando percebi, ali na hora, que ela batia o esplendor no meu rosto. Entrava na minha frente, e quando percebi que ela estava fazendo de propósito, não iria perder minha razão, comecei a entrar na frente dela também. Eu estava ali para somar e ela para aparecer. Quem assistiu ao desfile desse ano, tanto pela TV quanto no Sambódromo, sabe do que estou falando.
OBatuque.com – Em 2011, você passaria a coroa, por que a escola te dispensou bem antes disso?
Alessandra Mattos- Bom, poucas pessoas sabiam que eu entregaria o posto ano que vem, inclusive tinha comentando com minha ex-assessoria sobre isso, pois desejava passar a coroa para uma menina da comunidade, para que ela tivesse a mesma oportunidade que tive, no entanto isso não foi divulgado na imprensa. Uma semana antes de ser destronada, saiu na coluna do Kiko Alves uma nota, informando que eu continuaria como rainha em 2011, e na terça-feira da semana seguinte, o presidente me dispensou, alegando que a pessoa que entraria no meu lugar estaria ajudando a escola e coisa e tal. Até aí tudo bem. Só que depois disso, ele falou que seria uma menina da comunidade. Pois bem, eu tive cinco anos bem-sucedidos na Estácio e acho que representei muito bem a escola. Levei o nome da agremiação o tempo todo, em todos os lugares que frequentava. Estava presente em todas as festas da escola e ninguém pode questionar isso. Fui atuante e querida pela comunidade, tanto que o mestre Chuvisco, quando soube que eu não era mais a rainha, me ligou e disse: “Olha, estamos muito tristes, mas a vida segue e a bateria sentirá saudade.” Eu queria completar os seis anos e fazer uma coisa bacana para a escola. Não aconteceu como esperava, todavia não estou triste. Sei que vou ter outras oportunidades, até porque eu não queria ser rainha, e se fui, foi por merecimento. Tudo acontece com a permissão de Deus. Muitas procuram por isso, vão de barracão em barracão; oferecem dinheiro à escola; brigam com outras para estar ali; e se pudessem se matavam pelo posto. Soube que a nova rainha da Estácio (Shayene) esteve em outras escolas para tentar o cargo. Em momento nenhum fiz isso, pelo contrário, mereci estar ali, tanto é verdade que fiquei cinco anos.OBatuque.com – Como vice-presidente da Estácio, sua avó poderia ter mantido você na escola ou esse assunto não compete a ela?
Alessandra Mattos – Vou ser muito sincera, pois todo mundo sabe que não tenho medo de falar a verdade. Minha avó é como se fosse uma espécie de porta-voz da comunidade, entendeu? Ela como vice-presidente não tem poder algum, não manda em nada. Eu já falei isso para ela. No meu ponto de vista, o cargo dela é fictício, pois, por ela estar na Estácio há muitos anos merece um cargo como esse, entretanto, ali tem gente que não tem um cargo como o dela e manda muito mais.
OBatuque.com – Você disse que o presidente, ao te dispensar, comentou que a nova a nova rainha iria ajudar a escola, você chegou ajudar? E de que forma uma rainha de bateria pode ajudar uma escola?
Alessandra Mattos – Na verdade, não sou contra quem ajuda a escola, pode ser rainha ou madrinha, mas eu nunca ofereci, nem comprei o posto. Não cai de paraquedas, por influência da minha vó, como muitas pessoas falam. Já consegui patrocínio para camisas da bateria inteira, dei festa na escola, mas não sou contra quem paga para estar ali.
OBatuque.com – Quanto vale o posto de uma rainha de bateria?
Alessandra Mattos – Não me comprometa (risos). Soube por outras pessoas ligadas ao carnaval, não sei se é verdade, que, a maior contribuição dada a uma bateria foi de Luma de Oliveira, em 2005, na Caprichosos de Pilares. O dinheiro foi para ajudar na compra das peças da bateria, que teriam sido roubadas. Disseram que foi em torno de R$ 200 mil. Como já te disse: não me comprometa. Eu não sei se foi verdade. Agora, tem gente por aí que oferece 30, 40, 50 mil para estar à frente de uma bateria. Não sou contra. Quem paga e quem recebe sabem o valor (risos).
OBatuque.com – A nova rainha da Estácio é a Shayene Cesário. No ano passado, rolou um boato de uma suposta briga entre vocês, isso é verdade?
Alessandra Mattos – Briga, briga, não houve, mas soube pelo presidente Marquinhos que ela procurou a escola querendo ser a rainha. Eles não iriam me tirar, e ela queria de todas as formas sair ao meu lado como madrinha, só que o presidente disse que eu viria sozinha. No entanto, é bem provável que já estivesse tudo esquematizado para ela me substituir, inclusive tem um link no blog da TV Fama em que ela mesma fala que seria a rainha de 2011.
OBatuque.com – Ela chegou a comentar em uma entrevista que você só era rainha da bateria por causa da sua avó, isso é verdade?
Alessandra Mattos – Não me faça rir (risos). Fui rainha porque tive méritos. Como eu já disse no início da entrevista, foi o sr. Carlinhos Maracanã que me viu sambando na quadra da Estácio e me indicou para o posto. Não foi por causa da minha avó. Se tivesse que agradecer alguém por isso, agradeceria a ele.
OBatuque.com – Por que você se recusou a passar a coroa para a Shayane?
Alessandra Mattos – Eu a ajudei muito, e foi ao meu lado que ela fez, pela primeira vez, uma matéria legal e interessante, no meu ponto de vista. Além disso, a levei para a torcida organizada, pois na época tínhamos o mesmo assessor de imprensa. Conversava com ela, saia com ela, eu fui amiga dela, e sempre fazíamos matérias juntas, eu achava legal. Depois comecei a perceber que ela estava me usando. O posto não é mais meu, nada é eterno. Ela vai ter que rebolar muito para ficar cinco anos à frente da bateria da Estácio. E o motivo de não ter passado a coroa para ela não se trata de rixa, vaidade e muito menos egoísmo, e sim por ela ter sido falsa comigo.
OBatuque.com – Como você avalia a troca de uma rainha da comunidade por uma que seja midiática?
Alessandra Mattos- Não sou contra quem está entrando ou saindo da escola, seja lá qual for o motivo. Eu apenas, gostaria que elas fossem mais presentes na quadra, no barracão e que conhecessem a comunidade da escola para a qual elas estão indo, porque eu mesma já não morava mais no Morro de São Carlos, quando virei rainha. Portanto, não sou contra, só acho que elas deveriam ser mais presentes para que a comunidade possa gostar e admirá-las, mas quando é uma que está ali só pra aparecer, aí eu já acho que é burrice do presidente. Ele tem que abaixar a cabeça e ver que a escolha não foi a melhor.
OBatuque.com – Durante o mês de agosto surgiu outro boato de que você assumiria o posto na bateria da Viradouro, o que de concreto tem essa história?
Alessandra Mattos – Na verdade, foi o seguinte: várias pessoas me ligaram, perguntando se eu seria a rainha de bateria da Viradouro. Integrantes da própria escola, amigos meus, jornalistas… Então liguei para o Rildo, vice-presidente da escola e meu amigo e perguntei se a escola estava sem rainha, e ele disse que sim. Além disso, comentou sobre os problemas que escola vem atravessando e que depois pensaria no cargo de rainha. Aí comentei com ele que as pessoas estavam falando nisso e até brinquei, perguntando se havia alguma possibilidade, e ele disse que sim. Mas em momento nenhum me ofereci para a escola. Depois disso, saiu num site que eu havia me oferecido. Meu assessor de imprensa, o Viola, mandou uma nota informando que eu estava apenas sendo cogitada. Por incrível que pareça, no mesmo site saiu também que procurei a Rocinha e o presidente não quis. Minha produtora, Michelly Gouvêa, entrou em contanto com o veículo, pedindo para tirar a nota do ar por denegrir a minha imagem e eles apenas mudaram a versão e a colocaram junto à nota da Fábia Borges, que havia saído do posto um dia antes. Só que eles não sabiam que a Fábia e eu temos a mesma produtora, e se fizeram isso de maldade, para me colocar contra a Fábia, ou por sensacionalismo, se deram mal (risos).
OBatuque.com – Você é mãe de três filhos, o que você faz para manter a forma e ainda ser cogitada para o cargo de rainha de bateria?
Alessandra Mattos – Na academia brincam comigo. O pessoal me chama de turista, pois quase não apareço. Meu professor fala que eu sou mau exemplo para as meninas, pois para manter esse corpo tem que malhar todo dia, mas raramente eu malho. Evito sempre comer gordura, e de vez em quando eu bebo um refrigerante, que antes não bebia. Não tenho obsessão por academia, nem por comida, faço tudo errado (risos).
OBatuque.com – Alguma musa inspiradora?
Alessandra Mattos – Juliana Paes, quando foi rainha da Viradouro. Pelo carisma, pela simpatia, estava sempre presente na quadra. Ela abriu mão da coroa quando percebeu que não poderia mais conciliar o trabalho dela na novela com a escola. Isso foi muito bacana.
OBatuque.com – Os planos para o futuro e o Carnaval 2011?
Alessandra Mattos – Eu tenho DRT. Tirei pelo Sindicato dos Artistas e estou me dedicando à carreira de atriz. Sou formada em Artes, pela Estácio de Sá. Conheci o Maurício Descateno, produtor da TV Panamericana, do Peru. Ele me convidou para fazer um teste e fui para aquele país com a cara e a coragem, e lá comecei a trabalhar fazendo um programa humorístico. Ano passado, fui convidada para fazer uma peça de teatro que se chamava “Delírios e Caminhos, a Verdade Sobre as Drogas”. Tratava-se de uma peça dramática. Hoje não faço parte da companhia, inclusive o Augustinho, ex-BBB, também participou da peça. No momento, estou ensaiando uma comédia que estreia em outubro. Aguardo também um trabalho na TV, que está em andamento. No carnaval, estamos negociando com uma escola. Ainda não posso falar o nome. Talvez seja rainha ou musa. Pela Engenho da Rainha, serei anunciada como musa no dia 7 de setembro e coroarei a Juliana, do Grupo Juliana e as Fogosas. A vida segue e vem mais novidades por aí. Todos saberão na hora certa.
OBatuque.com – Qual o samba que você gostaria de estar à frente de uma bateria e na voz de qual cantor?
Alessandra Mattos – ´A Dança da Lua´, Estácio 1993, na voz do saudoso Carlinhos de Pilares.



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