Fotos: Daniel Duarte Wellington
O desfile do grupo de Acesso A foi aberto pela São Clemente, rebaixada do Grupo Especial e considerada uma das favoritas ao título. A escola de Botafogo apresentou o enredo de Nonato Trinta “Mangaratiba, uma História de Lutas para todos que Amam a Terra e a Liberdade”, desenvolvido pelo carnavalesco Lane Santana. A comissão de frente apresentava índios antropofágicos que coreografavam com um índio tupinambá. Dentre os cinco carros alegóricos, destaque para os que faziam parte dos setores indígena e negro do enredo. Selminha Sorriso apresentava o casal de mestre-sala e porta-bandeira e Laíla, outro destaque da Beija-Flor de Nilópolis, acompanhava a bateria de mestre Renatinho, que tinha à frente um naipe de chocalhos apenas com mulheres ritmistas, ajudou a sustentar o belo samba de Rodrigo Teles, Alexandre Araujo e Diego Mendes, defendido por Anderson Paz.
A segunda escola a desfilar foi outra favorita, a tradicional Unidos de Vila Isabel. Com o enredo “Oscar Niemeyer, o Arquiteto no Recanto da Princesa”, a Vila trouxe a figura de Niemeyer logo no abre-alas, o mais bonito de seus cinco grandes carros. Usando muito o tradicional azul, a escola de Noel trouxe à frente da bateria três naipes de cuícas e mestre Mug comandou várias conversões com as caixas mais pesadas. Com Jorge Tropical cantando o bom samba de autoria dele próprio e de Tinga, a Vila encerrou o desfile com uma ala, puxada por Martinho da Vila, que apresentava faixas com palavras de ordem do arquiteto homenageado em defesa da Amazônia e contra a fome no Brasil, além de bandeiras do Brasil, do PC do B e do MST.
A Acadêmicos do Cubango foi a terceira a se apresentar, com o enredo “Cândido Mendes – Um Século de Paixão na História da Educação”, de Roberto Reis. A escola de Niterói caprichou nas fantasias dos setores mais tradicionais, como as lindas baianas com tabuleiro na cabeça e pano nas costas, como manda a melhor tradição. O casal de mestre-sala e porta-bandeira também se destacava, com muitas plumas em vermelho e branco compondo a fantasia. As crianças formaram uma ala de bumba-meu-boi e na bateria, vestida de beca verde, destacava-se o naipe de agogôs que vinha à frente dos tamborins. O samba de Eduardo Poeta, Sardinha, Lenio da Cotia e Quinzinho foi interpretado por Palito do Porto e cantado pelos componentes da escola. A família da Cândido Mendes fechou o desfile no último carro.
A Inocentes da Baixada foi a quarta escola a entrar na avenida. Com o enredo “O Gênio da Inocentes e a Lâmpada Maravilhosa”, de Cahê Rodrigues e desnvolvido por Sílvio Cunha, a escola de Belford Roxo trouxe um carro com várias garrafas de gênio, que dentro traziam passistas. Apesar de problemas com alegorias e fantasias, os componentes passaram animados, trazendo na garganta um dos sambas mais cantados do ano, de autoria Zé Mauro “Jacaré”, Toninho Gentil, Arnaldo Lyrio e Moleque Silveira. A bateria de mestre Jonas, com a rainha Janaína Guerra, foi o ponto alto do desfile, levantando as arquibancadas. Ela vinha com um naipe de chocalho e dois de cuíca na frente, e Jonas proporcionou um festival de paradinhas e conversões, com destaque para o suingue de suas caixas de marcação, que repicavam simulando um “som estéreo” ao comando de sua regência. No final, a ala das crianças coreografava pedindo paz.
Quinta escola a entrar na Avenida, a Paraíso do Tuiuti contou o enredo que homenageava o pintor Cândido Portinari, “Tuiuti Desfila o Brasil em Telas de Portinari”, do carnavalesco Paulo Barros. O criativo abre-alas anunciava a qualidade do desfile: uma grande coroa em um carro feito com 7.500 latas de tinta, inclusive com tampas revestindo o piso, gerando um belo efeito visual. Foi a primeira alegoria do tipo a passar na Sapucaí. Antes, a comissão de frente belamente vestida de paleta de tinta em uma aquarela. O carro com esculturas de negros carregando sacos de café, sem figuras vivas e com canhões de luz de baixo para cima, também causava impacto, assim como a alegoria que trazia espantalhos de campos de milho que coreografavam para assustar os corvos. A bateria tinha Dill Costa como rainha e deu sustentação ao bom samba de Emerson Cristianes, Doutor, Silvão, Eli Penteado e Fernando Lima, puxado por Clóvis Pê. O último carro trazia crianças vestidas de querubins. Com as fantasias das alas seguindo a qualidade dos carros, a Tuiuti deixou o Sambódromo como uma das favoritas ao título.
Já era domingo quando a Unidos da Ponte entrou para contar o enredo “De Graham Bell Sérgio Motta, o Salto para a Modernidade”, sobre a telefonia. A escola trazia logo à frente sua tradicional ala de baianas, de telefonistas de branco, evoluindo com graça e harmonia e superou as dificuldades que encontrou para colocar o carnaval na Avenida. Entre os carros, destacava-se o que representava o ex-ministro Sérgio Motta guiando um trator, como era conhecido por seu estilo de atuar. Interpretando o samba de Gugu das Candongas, Ito Melodia, Maurício Miranda e Jefferson Martins, Nélio Marins, irmão de Quinho, do Salgueiro, dava um show de empenho e descontração, chegando a cantar no meio dos ritmistas quando a bateria estava no curral. Uma atração foi a presença de Ronaldinho, o prestigiado mestre-sala do Salgueiro, apresentando o casal de mestre-sala e porta-bandeira, orgulhoso de acompanhar a estréia da filha Nívea defendendo o pavilhão da escola de São João de Meriti.
A Acadêmicos da Rocinha entrou na Avenida para homenagear os 100 anos do Fluminense, com o enredo “Nas Asas da Realização, Entre Glórias e Tradições, a Rocinha Faz a Festa dos 100 Anos de Campeão…Sou Tricolor de Coração!”, de Luciano Costa. A comissão de frente trazia os componentes como borboletas de cartola em cinza e branco, cores do Fluminense quando foi fundado. Atrás, casais da Velha Guarda e o abre-alas com Nelson Rodrigues. O presidente do clube homenageado veio em um carro com esculturas de grandes nomes da história tricolor. As baianas, de verde, traziam o escudo do Flu na saia. O mau som da Sapucaí esteve ainda pior durante o desfile da Rocinha, prejudicando a escola em alguns momentos. Mesmo assim, os componentes não deixaram de acompanhar Carlinhos de Pilares no canto do samba de Thiago, Branco, Fabiano, Diego e Rubinho. Com o contigente um pouco maior que de costume, a bateria não fez o recuo para o curral, mas isso não impediu os ritmistas, elegantemente vestidos com fraques tricolores, de sustentarem a passagem da escola.
Oitava agremiação a desfilar, a Leão de Nova Iguaçu entrou na Sapucaí contando o enredo “Beleza: a eterna busca do ser”, do carnavalesco Alex de Souza. A escola investiu em suas cores e suas alas mesclavam tonalidades de vermelho, amarelo e branco, com destaque para as fantasias da comissão de frente e do casal de mestre-sala e porta-bandeira, Vanderli e Tânia, responsáveis pelo pavilhão do Salgueiro no último carnaval conquistado pela escola tijucana, em 1993. O abre-alas trouxe um grande leão, símbolo da escola, que movimentava a cabeça para os lados. A bateria de mestre Birinha sustentava o cadenciado samba de Kim da Velha Guarda, Cléber, Marcinho, Tide e Pixulé, muito bem puxado pelo próprio Pixulé.
O Boi da Ilha do Governador trouxe para a Avenida o enredo “Em 500 anos de Glória, Cabo Frio Conta sua História”, do carnavalesco Cláudio Jesus. Para contar o enredo sobre Cabo Frio, cinco carros alegóricos e 2.200 componetes cantando o samba de Aloisio Villar, Paulo Travassos, Roger Linhares, Cadinho da Ilha, Mestre Arerê, Jorjão Jacaré, Valfredo, Milton, Jorginho Batuqueiro, Welliton e Patinho, puxado por Cadinho da Ilha, Flávio Martins e Gilson Bacana. A bateria de mestre Felício bateu com três naipes de chocalhos, o que propiciou um ritmo diferenciado, já que nenhuma outra escola do grupo levou tanto chocalho para a Avenida. Assim como a Rocinha, a bateria não entrou pelo curral.
A tradicional Estácio de Sá entrou com muita vontade para contar “Um banho da Natureza – Cachoeiras de Macacu”, enredo do carnavalesco Roberto Szaniecki. Apesar das dificuldades enfrentadas pela comunidade de São Carlos, inclusive com a perda do presidente Acyr, os componentes cantaram com garra o bom samba de Reginaldo, Tião Larrieu, Magrão, Arthur 104, Gê de Ogum e Batista Coqueiral, interpretado por Serginho do Porto. A bateria de mestre Esteves foi um dos destaques do desfile, inclusive com uma bonita coreografia que formava uma flecha, lembrando os índios que viviam em Mangaratiba. Outros pontos positivos foram as bem compostas fantasias dos passistas da escola e as crianças representando sapos. A comissão de frente, com bela coreografia, foi prejudicada pela fantasia, que se desfazia ao longo da Avenida.
A União de Jacarepaguá entrou na Sapucaí quando o dia já clareava, com o enredo “O de Cupim É do Cupim”, que fez o carnavalesco Valdecy Rosas colocar muitos bois na Avenida. Com muita garra, os componentes cantaram com o intérprete Rhixxah o samba de Amilcar, Edinho e Henrique Martins, um dos melhores deste ano. A bonita e bem coreografada comissão de frente era seguida por quatro componentes de pernas de pau que faziam malabarismos com fogo. Outras alas destacadas foram a de damas e a das crianças, estas à frente da bateria que trazia um naipe inteiro de ritmistas tocando agogôs. Fechando o correto desfile, a tradicional Velha Guarda da escola da Zona Oeste.
Com sol forte, a União da Ilha fechou o desfile do Grupo de Acesso A mostrando que veio disposta a lutar pelo direito de voltar ao grupo principal. Com um enredo bem no estilo que consagrou a escola, “Chega em seu Cavalinho Azul, uma Bruxinha Boa: a Ilha Trouxe do Céu, Maria Clara Machado”, a União impressionou pelo bom gosto do trabalho desenvolvido pelo carnavalesco Paulo Menezes e fez um desfile leve e colorido, com seus componentes ignorando o calor e cantando o tempo inteiro o samba de Márcio André, Almir da Ilha, Miguel Roxinho e Tote, interpretado por Ito Melodia. A comissão de frente impressionava pela beleza e pela coreografia brincando de teatro de bonecos, que era lembrado também no belo abre-alas. Obras e personagens de Maria Clara Machado passaram pela Avenida, com destaque para o carro que lembrava o fantasminha Pluft e a última alegoria, que trazia a autora no céu em um carrossel de cavalinhos azuis. Outro destaque foi a volta de mestre Paulão à direção da bateria. Apresentado por mestre Russo, diretor de bateria da Mangueira, Paulão tinha ao lado Deise Nunes, uma das mais antigas madrinhas do carnaval e que também estava afastada da escola. A União deixou a Avenida sob forte côro de “É Campeão”.
Agora, resta ler as notas dos jurados e saber quem realizará o sonho de subir para o Grupo Especial e quem desfilará no Grupo de Acesso B em 2004. OBatuque.com parabeniza as comunidades das escolas de samba do Grupo de Acesso A pelo amor com que, a despeito de muitas dificuldades, colocaram na Avenida um bonito carnaval, repleto de emoção, ritmo, e samba no pé.
União da Ilha – ala
Ilha – casal de MS & PB
Cubango – casal de MS & PB
Estácio de Sá – abre-alas
União da Ilha – ala
Estácio – Thatiana Pagung<
Estácio de Sá – ritmista
Estácio de Sá – alegoria
União da Ilha – Deise Nunes
Inocentes – velha-guarda
Rocinha – ala das baianas Paraíso do Tuiuti – ala
Rocinha – comissão de frente Tuiuti – comissão de frente
Unidos da Ponte – abre-alas
União de Jacarepaguá – rainha
Vila Isabel – faixa
Cubango – casal de MS & PB
Estácio de Sá – ala Jacarepaguá – ritmista
Vila Isabel – passista Cubango – ala das baianas
Ilha – Marquinhos e Ito Melodia Estácio – Serginho do Porto
Tuiuti – carro dos espantalhos
Paraíso do Tuiuti – abre-alas
Tuiuti – casal de MS & PB
União de Jacarepaguá – ala
Paraíso do Tuiuti – alegoria
Rocinha – rainha da bateria
União da Ilha – Mestre Paulão
Estácio de Sá – porta-bandeira
Paraíso do Tuiuti – Dill Costa
Inocentes da Baixada – ritmista
Inocentes – passista




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